“Se queres, tens o poder de curar-me.” (Mc 1, 40)

A primeira Missa do Seara 2021 aconteceu na noite deste sábado, 13 de fevereiro, e foi presidida pelo Padre Fabiano Milione, pároco da Paróquia de São Pio X na cidade de Barbacena – MG e assessor arquidiocesano da Renovação Carismática Católica.

A partir da liturgia desse sexto domingo do tempo comum, podemos contemplar o milagre de Jesus ao curar um leproso. Não era fácil lidar com a lepra. Em Levítico (13,1-2.44-46), vemos que uma pessoa que sofria do mal da lepra vivia separada, afastada da comunidade. Era uma vida difícil e humilhante. Além disso, o leproso deveria vestir vestes próprias e gritar para os outros que ele era um impuro. Acreditava-se que a lepra era fruto de um pecado, de uma impureza.

No entanto, apesar daquela situação de doença, a beleza do Evangelho está na coragem do leproso de ir até Jesus Cristo, de se aproximar do Senhor e cair aos Seus pés. Essa coragem vem da fé e da presença misericordiosa de Deus que aquele homem vê em Jesus.

A coragem desse leproso é um inspiração para nós. Assim como vemos no tema do Seara 2021 “Coragem, eu venci o mundo!” (Jo 16, 33). É isto que Cristo pede de nós: uma coragem que nos move, que nos tira da inércia, do pecado, e que nos ensina a não nos conformarmos com as nossas misérias. É uma coragem para que possamos nos aproximar do Senhor e ver Sua face misericordiosa.

Ao longo do Evangelho, nos deparamos com inúmeras curas e milagres realizados por Jesus. Aqueles que precisam, sempre se dirigem a Jesus e pedem a cura. Há um pedido direto e insistente. Esse leproso, porém, faz diferente. Ele se dirige a Jesus e pede a sua cura. “Se queres, Senhor, podes curar-me!” (Mc 1, 40). O leproso diz: “se queres”. Ele não impõe, mas em seu pedido, ele demonstra confiar em Jesus. Essa confiança o leva a não pedir a sua vontade, mas a vontade de Deus.

Este apelo nos inspira a vivermos nosso relacionamento com Deus de modo diferente. A nossa oração não pode ser como uma planilha de Excel em que só apresentamos a Deus as nossas tarefas. Precisamos deixar Deus ser Deus, pois Só Ele pode curar-nos.

E no desfecho do Evangelho, vemos que Jesus, cheio de compaixão, movido por aquele gesto de fé, estende a mão, se aproxima e toca o leproso e diz: “Eu quero. Fica curado!” (Mc 1, 41). E após aquela atitude, Jesus convida o leproso a levantar-se e a se juntar-se novamente à comunidade.

Jesus toca na ferida daquele leproso para curá-la. O toque de Jesus é um toque de misericórdia que cura, liberta e salva. E isso acontece no Evangelho. O homem foi curado da doença que afligia seu corpo, mas também recebeu uma cura mais profunda a partir do olhar de Jesus que tem a capacidade de romper com a superficialidade e alcançar a alma. Jesus deseja fazer isso conosco também, deseja nos curar com compaixão.

Depois de ser curado, o leproso conta a todos sobre o milagre e dá glória a Deus. Com esse gesto, aprendemos que em tudo devemos glorificar a Deus com a nossa vida, mesmo nas provações e dificuldades.

Que hoje sejamos corajosos como aquele leproso para nos aproximarmos de Jesus e acolhermos a cura conforme a Sua santa vontade. Que possamos buscar reconhecer em nossa vida a compaixão e o olhar misericordioso de Deus que está conosco e que nos diz “Coragem, eu venci o mundo!”

Liturgia do sexto domingo do tempo comum

Primeira leitura: Lv 13,1-2.44-46

Salmo: Sl 31

Segunda leitura: 1Cor 10,31–11,1

Evangelho: Mc 1,40-45

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