O poder da Palavra de Deus

A tarde desse último dia de Seara começou com a palestra ministrada pelo Padre D’Artagnan de Almeida Barcelos, com o tema: O poder da Palavra de Deus. O padre iniciou o momento com a leitura da passagem de Ezequiel 2, que conta o chamado do profeta para anunciar a Palavra de Deus para o povo de Israel. Por ser um tempo muito difícil para ser a voz de Deus para aquela nação teimosa, Ezequiel se mostra resistente em aceitar sua vocação, mas logo se coloca a serviço do Senhor.

Para sermos proclamadores da Palavra de Deus precisamos, inicialmente, nos alimentarmos da Palavra. Se não nos alimentamos, podemos sair por aí achando que somos profetas, mas no fim de tudo pregaremos nossas próprias palavras. Mas como podemos discernir se o que estamos falando, se pelo que estamos brigando, sofrendo é a palavra de Deus ou é a nossa própria vontade, querendo as coisas do nosso jeito, no nosso tempo?

Quem se apega as suas palavras, a sua vontade, acaba criando uma imagem sobre Deus e sobre a Igreja e não se deixa surpreender pela eterna novidade da Palavra. No tempo que vivemos, com o exagero de palavras, mais difícil do que nunca é criar o silencio interior, que é uma atitude de abertura, de se colocar desarmado diante de Deus para ouvir o que Ele tem a dizer. A grande dificuldade é que em um mundo apressado, que as pessoas têm tanta pressa para as coisas, não sabemos como escutar Deus. O Senhor não fala na correria, é preciso que eu crie o silêncio necessário para conseguir ouvi-lo.

Se formos nessa onda do mundo apressado podemos acabar hipnotizados e convencidos da nossa própria vontade e das nossas próprias palavras. E um cristão que prega a sua vontade não serve de nada! A Palavra de Deus é fecunda, já a nossa vontade, por mais que maquiada pela Palavra de Deus, não vale nada. Quando nos fechamos às nossas vontades, às nossas ideias, nossos planos… está tudo perdido! E pode ser que isso aconteça algumas vezes ao longo da nossa caminhada. Quando acontece, somente “quebrando a cara” para reaprendermos a nos colocar diante da Palavra de Deus com humildade. Devemos ouvir a voz de Deus com o coração desarmado e nos deixar surpreender pela palavra.

Por vezes o demônio tenta nos iludir para acharmos que somos especialistas da Palavra de Deus e assim pensar que não precisamos mais de ler com frequência a Bíblia, que não necessitamos conhecer mais do que já conhecemos. Mas a Palavra é alimento a qual temos fome. Aquele que não tem fome da Palavra de Deus é porque há algo de errado. E aí, estamos nos alimentando de coisas boas ou consumindo qualquer porcaria e nos deixando ser enganados pelo demônio?

As nossas próprias palavras ou as palavras vazias do mundo não nos preenchem, pelo contrário, elas nos cansam! Quantas vezes não ficamos cansados com nós mesmos? Mas a novidade da Palavra de Deus não nos cansa, ela incomoda para mudarmos e também nos alimenta. Essa Palavra nos liberta dos nossos pecados, dos apegos. Por isso precisamos pedir a graça do Espírito Santo de apaixonarmos de novo e nos colocarmos diante da Palavra de Deus como uma eterna novidade. É uma novidade que nos proclama, diante de qualquer coisa, que somos amados incondicionalmente.

Antes de qualquer coisa, a Bíblia é uma boa notícia do amor. Depois, ela se revela como tarefa de amar. Eu sou amado e também me releva onde eu não tenho amado, onde preciso melhorar. O Apostolo João vai dizer que a Palavra de Deus é saborosa, mas que no estômago ela é amarga (Ap. 10, 9-10). A palavra é saborosa porque é a notícia do amor, que somos amados incondicionalmente, mas também me diz que precisamos fazer o caminho que Cristo fez. Precisamos ser capazes de nos sacrificarmos, de renunciar à nossa vontade.

Quando perguntamos ao Senhor “o que queres que eu faça?”, devemos escutar a resposta com o nosso coração desarmado. Será que Ele nos pediu tudo aquilo que temos feito ou nós que fomos apressados e colocamos na boca de Deus coisas que ele não nos pediu? Estou fazendo aquilo que Deus me pediu, mas do meu jeito? De qualquer forma, não serve! Não é suficiente fazer a vontade de Deus, é preciso fazer a vontade Dele do jeito que Ele quer! Temos que dar a abertura e a disponibilidade para ouvir a Deus sem preconceitos. Não é ouvir aquilo que nos queremos ouvir, mas aquilo que precisamos ouvir.

Por fim, precisamos acreditar no poder da Palavra de Deus. Ela é viva e eficaz! Se for acolhida e proclamada, mesmo a realidade mais difícil tem solução!

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