A pandemia não vai nos roubar a fé, nossa união, enquanto Igreja, enquanto povo do Senhor

A Santa Missa deste domingo, 14 de fevereiro, foi presidida pelo Padre Paulo Nobre, vigário paroquial da Paróquia Nossa Senhora do Rosário de Fátima, capelão da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e diretor espiritual da Fraternidade Pequena Via, em Viçosa-MG.

Ao desejar boas-vindas, Padre Paulo destacou que neste ano celebramos o Seara de um modo diferenciado, mas que ainda assim isso nos permite a união na fé: “A pandemia não vai nos roubar a fé, nossa união, enquanto Igreja, enquanto povo do Senhor”. Na oração da coleta, ele incentivou que cada um fizesse sua própria oferta a Deus na Celebração Eucarística.

Na homilia, Pe. Paulo lançou olhar para as duas partes importantes que vivenciamos na Santa Missa: a Mesa da Palavra e a Mesa da Eucaristia. Depois, ele destacou o tempo litúrgico que estamos a celebrar: o Tempo Comum, tempo fecundo, de anúncio do Reino de Deus. A partir da liturgia deste 6° Domingo do Tempo Comum, destacou-se o fato de Jesus anunciar o Reino de Deus não só por palavras, mas também por gestos: “Jesus falava com autoridade, porque suas palavras ensinavam por meio de seus gestos, ao contrário dos fariseus que acreditavam somente no poder das palavras”, afirmou.

Ao se referir à leitura de Levítico, Padre Paulo falou da lepra, como um conjunto de sintomas, em que se não conhecia um tratamento, nem se sabia a causa, mas gerava uma condição de impureza e, consequentemente, de pecado (cf. Lv 13,45-46). Ele destacou também o nosso contexto atual: a pandemia do novo coronavírus. Neste tempo, nós experimentamos também o sofrimento, muitas mortes e condições adversas. Voltando à leitura, ele informou a condição de quem tinha lepra naquele contexto: era considerado impuro, era excluído socialmente e religiosamente. A doença era associada a um tipo de castigo divino, consequência da maldade praticada. Diferentemente, nos tempos hodiernos, a pessoa diagnosticada com covid-19 faz o isolamento domiciliar, mas não é excluída e, em quase um ano de pandemia, já podemos vislumbrar a esperança de uma vacina.

Em relação ao Evangelho de Marcos, Pe. Paulo Nobre destacou o gesto daquele homem ao se aproximar de Jesus e pedir a cura. Um gesto de humildade e confiança, que nos faz pensar sobre nosso tipo de oração: como estamos rezando? “Rezar bem não significa multiplicar palavras”, afirmou. Vendo o gesto daquele homem, Jesus se move com compaixão e ternura, pois “é o amor que pode realmente curar um coração ferido”. O sacerdote ainda destacou que “Jesus cura, perdoa pecados e expulsa demônios. São gestos que indicam qual deve ser o nosso caminho e como devemos viver o Evangelho”.

“Eu quero, fica curado” (cf. Mc 1,41). Quantas vezes desejamos ouvir essas palavras de Jesus? Mas, precisamos pensar também se nosso encontro com Deus, nossas orações, súplicas e preces têm servido como um impulso para desejarmos a purificação: “será que reconhecemos que o encontro com Jesus marcou a nossa vida, dividindo-se entre um antes e um depois?”. Na sequência do Evangelho, Pe. Paulo recordou que Jesus pede que o leproso procure o sacerdote e se apresente como alguém curado, assim como exigia a lei judaica (cf. Mc 1,44). Depois disso, aquele homem foi reintegrado na sociedade e na igreja, na comunidade de fé. Como consequência, Jesus teve de ficar do lado de fora da cidade, “talvez porque seja ali que o Reino acontece”, destacou.

Pe. Paulo Nobre recordou o pedido insistente do Papa Francisco em sermos “Igreja em saída”. Precisamos sair também de nós mesmos, deixar de ocupar o centro, pois o vírus do egoísmo mata muito mais que qualquer outra doença, como já afirmou o Sumo Pontífice em homilia da Solenidade de Pentecostes, na Igreja do Divino Espírito Santo, em Sassia (Roma). Por fim, o presidente da celebração incentivou que devemos pedir a Deus com coragem, com ousadia, com simplicidade a nossa cura das enfermidades físicas e espirituais: “Não tenha medo de amar, de ir às periferias da vida, para perceber a dor do outro”, pois “só o Amor é capaz de transformar a humanidade e salvar as nossas vidas”. O sacerdote afirmou que a pandemia não vai nos tirar a fé, a força, o vigor diante de Deus, pois nós estamos com Jesus e não abandonaremos tuas palavras e teus ensinamentos.

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