Santa Missa Sábado Seara 2020

A Santa Missa de abertura do Seara 2020 contou com a presença do Cônego Lauro, do Pe. Paulo Nobre e do Pe. Gilmar Lopes. Logo no início da homilia, Monsenhor Luiz Antônio transmitiu abraço e saudações do Arcebispo de Mariana, Dom Airton José dos Santos, justificando a sua ausência devido à ordenação de um religioso. Cumprimentou os sacerdotes presentes, seminaristas, religiosos e religiosas.

Primeiramente, ele destacou a celebração da Festa litúrgica da Cátedra de São Pedro. Segundo Monsenhor Luiz Antônio, Pedro é muito parecido com cada um de nós, pois sua trajetória não é feita de glória, mas tem uma vida semelhante à nossa, recheada de altos e baixos, de entrega a Jesus, mas também de quedas e limitações. “Qual é a semelhança entre Pedro e Judas Iscariotes? Ambos apóstolos, ambos foram chamados, ambos negaram Jesus em momentos cruciais”. Mesmo assim, Pedro tomou a decisão de colaborar com a graça de Deus. “É preciso colaborar com a graça de Deus”, pois não podemos pretender que o Espírito Santo faça tudo em nossa vida, uma vez que nossa colaboração é essencial.

Em seguida, Monsenhor Luiz Antônio citou Santo Agostinho: “Ó homem, Deus que te criou sem ti, não te salvará sem ti”, para dizer que é preciso trabalhar no próprio processo de santificação. Deus conta conosco, apesar de nossas limitações. É preciso entregar-se confiantemente a Deus. Sem se entregar, não é possível fazer uma verdadeira caminhada cristã, pois, do contrário, faremos um verdadeiro “teatro cristão”.

O presidente da celebração ainda contou a história de uma nora e uma sogra que, morando juntas, em meio a conflitos, esta tinha a atitude de tomar uma panela daquela, como forma de protesto. Parece curioso ou cômico, mas da mesma forma é a nossa relação com Deus, pois tantas vezes também vamos “tomando nossas panelas” d’Ele. “Faça seu exame de consciência e veja se não se parece com essa sogra”. Nós vamos enfraquecendo nossa relação com Deus, vamos perdendo o sentido de viver, a paz interior, o gosto pela oração… Assim o pecado torna-nos pessoas egocêntricas, escravas daquilo que temos de pior. Desse modo, passamos a viver de ilusões, na escravidão. É dessa forma, por exemplo, que as pessoas caem em vários vícios e tornam-se reféns de sua própria liberdade.

Monsenhor Luiz Antônio ainda citou o exemplo de Angelo Roncalli, São João XXIII, que, quando ainda era seminarista na etapa da filosofia, confiou ardentemente à serenidade da entrega a Deus, propondo que se o plano do Senhor para ele fosse tão grande cargo, ele se tornaria papa. E assim se fez em sua vida. Hoje, papa, canonizado pela Igreja em 2014. Em seguida, destacou que é preciso ter cuidado com o que dizemos a Deus, cuidado com as teatralizações. Não há problema emoção e fé, mas é problemático o emocionalismo, confundir fé e emoção: “A entrega que você fizer de si para Deus, faça com toda verdade, faça com toda sinceridade, dizendo quem realmente você é. Colocando diante de Deus tudo que você sonha e teme. Sem deixar de levar em conta, aquilo que é mais importante na sua vida: entregar-se a Deus”.

Foi partilhado, ainda, o relato da Irmã carmelita Assunção, de Ouro Preto, na época em que Monsenhor Luiz Antônio foi capelão da congregação. Ela passou os últimos dias de sua vida em enfermidade, mas ela transbordava paz. Os visitantes a encontravam e saiam consolados de lá. “Como alguém podia ter tanta paz? Foi uma das experiências mais impactantes da minha vida: ver a pessoa num dos momentos de maior dor, mas também vivendo na maior paz”. No meio do maior sofrimento, se nos entregamos a Deus, podemos obter a paz. “Falo aos carismáticos de tantos Searas: o que vocês têm feito da Palavra de Deus?”.

No calvário, Jesus transborda paz: “Pai, perdoai-lhes, eles não sabem o que fazem” (cf. Lc 23, 34). Assim, no meio do sofrimento é preciso aprender a se entregar a Deus, pois se não se entrega a Ele, entrega-se ao desespero. E o caminho para isso é feito pela impaciência e pelas murmurações. Alarmante é o número de suicídios: a cada 40 segundos, uma pessoa atenta contra sua própria vida, ao redor do mundo. Aqui se volta às figuras de Pedro e de Judas. A diferença está na entrega. Pedro se entregou a Deus. Judas se entregou ao desespero.

Em seguida, Monsenhor Luiz Antônio se direcionou aos jovens, chamando atenção para o cuidado de não assumirem uma postura de culpa agonizante. É preciso moral. Não, moralismo. Mesmo depois da queda, é possível se entregar a Deus. Ouvimos no Evangelho, Jesus dizendo: “Pedro, tu és pedra, e sobre esta pedra edificarei minha Igreja” (cf. Mt 16,18). “E se Jesus precisar de edificar alguma coisa sobre você, ele vai encontrar em você uma pedra, uma coisa firme e sólida? Deus precisa edificar muitas coisas em sua vida, em sua casa, em seu ambiente profissional, mas ele precisa de um ‘Pedro’, de uma ‘Petrina’… Não dá mais pra adiar a entrega a Deus”.

“[…] e as portas do inferno jamais irão vencê-la” (cf. Mt 16,18). “Sempre haverá virtude e santidade na Igreja”. A Arquidiocese de Mariana vive um ano pastoral dedicado às famílias. Ao olhar para a realidades das famílias, aparentemente, não está acontecendo a prevalência de Deus. “Transforma tua casa numa Igreja” (São João Crisóstomo). É preciso transformar nossas casas em ambiente de oração, aí as portas do inferno não vão prevalecer. Muitas famílias hoje, segundo Monsenhor Luiz Antônio, parecem ajuntamento de “gente brigona”,  “repúblicas de parentes”, deixando de ser ambiente de vivência da fé.

Ao fim de sua reflexão, ele retomou o ponto inicial, dizendo: “Entregue-se pra valer [a Deus]… e se perceber que está igual à sogra, querendo tudo de volta… Deveremos entregar a Deus muitas e muitas vezes, até nos convencer de que estar nas mãos de Deus é o melhor lugar do mundo”.

Geovane Macedo da Costa
Equipe de Mídias – Seara 2020

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