“A cruz levada com amor não mata” (Pe. D’Artagnan)

Tudo é possível para quem tem fé (Mc 9,23)

A Santa Missa do terceiro dia do Seara contou com a participação especial das crianças participantes do Searinha. Presidida pelo Pe. D’Artagnan, teve a presença de vários padres: Pe. Thiago Gomes, Pe. Daniel Júnior, Pe. Vanderlei, Pe. Paulo Nobre, Pe. Gilmar Lopes, Cônego Lauro Versiani. Além disso, destaca-se a presença de vinte seminaristas e cinco coroinhas.

Ao iniciar a celebração eucarística, Pe. D’Artagnan destacou que estamos a viver um “retiro abençoado”, devido às diversas atividades programadas do Seara, sobretudo, aqueles que estiveram a oportunidade de celebrar o sacramento da reconciliação. Em seguida, convidou todos a um sincero e profundo exame de consciência, na certeza de que Deus, o Pai das Misericórdias, concede seu perdão.

No início da homilia, Pe. D’Artagnan destacou a grande alegria em estar no Seara e poder presidir a celebração. Além disso, grande é a satisfação de ter sido evangelizado na Renovação Carismática Católica. Em seguida, ele convidou a equipe de música que o ajudasse a clamar o Espírito Santo, por meio de uma canção: “Vem Espírito Santo, vem sobre nós, como em Pentecostes possuir o meu ser”.

Ao iniciar sua reflexão, recordou o tema dos retiros de Carnaval da RCC: “Não vos conformeis com este mundo” (Rm 12,2). Em seguida, lembrou a Exortação Apostólica Gaudete et exsultate, do Papa Francisco, em que se destaca a vivência da santidade que, por mais que seja através das coisas cotidianas, é preciso compreender que se trata de uma grande luta espiritual.

Pe. D’Artagnan retomou a pregação da parte da tarde, recordando o tema do combate espiritual. Além disso, voltou à liturgia da missa, na primeira leitura retirada da carta de São Tiago, que, para nós, é um convite a resistir às tentações do mundo, pela renovação do Espírito, por meio de uma sabedoria que vem do alto. O sacerdote também falou que há um grande risco em ‘combater as coisas do mundo com as próprias coisas do mundo’. Há um sério perigo em possuir um arsenal de passagens bíblicas na ponta da língua, mas de não as colocar em prática, de maneira profunda e cristã.

Apontou que, pela fala de um amigo, “um grupo de oração sem a efusão do Espírito é o pior lugar do mundo para se estar”. Com isso, ele disse da importância de sermos canal da graça para nossos irmãos, desde o visitante até mesmo àquele que faz parte de algum núcleo. “Tudo muda quando há a efusão do Espírito”, frisou. Pe. D’Artagnan disse que: “Não se conformar com este mundo é se conformar com a nossa vocação”. Ademais, recordou que o Espírito Santo nos move para fora de nós mesmos, de nossos interesses, por isso “a missão da RCC é levar adiante esta efusão do Espírito, fazer como fizeram os apóstolos depois de Pentecostes”.

A liturgia desta segunda-feira da 7ª Semana do Tempo Comum propõe-nos o Evangelho de Marcos (9,14-29), que traz o momento em que Jesus expulsa o demônio de um rapaz por meio da oração. Retomando esta cena, o sacerdote destacou a repreensão que Jesus faz a seus discípulos: “Ó geração incrédula, até quando estarei convosco? Até quando terei de suportar-vos? Trazei aqui o menino!” (v. 19). Ademais, salientou também a resposta daquele homem que pediu a cura para seu filho: “Eu tenho fé, mas ajuda a minha falta de fé”.

Pe. D’Artagnan afirmou que, por vezes, parece que o mundo tem armas muito mais potentes que as nossas. No entanto, é a fé em Jesus que nos lança para uma outra dimensão, a de acreditar, a de se curar, pela unção do Espírito Santo, pelo poder de Jesus Cristo. Com isso, recordou-se Lc 18,29: “Quando porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?”. Mesmo diante de todas as dificuldades do tempo presente, deve-se preservar no coração esta certeza: ‘Deus é comigo’ – “a fé se apoia nisto: Deus está conosco!”, afirmou.

Pe D’Artagnan recordou os momentos em que acompanhou o Pe. Rodrigo Marcos no período da enfermidade. Citou as situações em que tinha de aplicar morfina em seu amigo, para que amenizasse a sua dor: “Eu nunca vi ele reclamando”, contou. Além disso, acrescentou: “precisa ter muita fé para olhar além da dor, né?”. No entanto, se a fé está pequena, corremos o risco de rejeitar ou ter medo da cruz. Vêm o medo, a depressão. Contudo, “a fé, na força do Espírito, nos dá parresia”, ou seja, “se levo a cruz por amor, essa cruz não mata”, frisou.

Precisamos, com a nossa fé, de enxergar além da cruz, de ver o poder de Deus. A partir disso, retornou ao testemunho do Pe. Rodrigo, no dia em que se dirigindo ao bloco cirúrgico, um dos enfermeiros tinha um terço pendurado no braço e disse que Nossa Senhora estaria com ele. Contou a história de uma senhora enferma, que relatou a visita de um pássaro: ‘senti uma alegria, padre, que Deus estava me visitando, e agora chegou o senhor!’.

O sacerdote, em seguida, afirmou que necessitamos ter um olhar puro para ver onde Deus está, abraçar a fé que nos lança para além das dores do tempo presente. Retomou-se o trecho do evangelho que traz a resposta de Jesus aos discípulos: “Essa espécie de demônios não pode ser expulsa de nenhum modo, a não ser pela oração” (cf. Mc 9,29). Com isso, ele destacou a importância do cultivo da vida de oração: “É possível ir à missa e não rezar”. Contentar-se com uma missa dominical vivenciada na superficialidade é correr um sério risco. É preciso viver sob a efusão do Espírito todos os dias.

Ao fim de sua reflexão, Pe. D’Artagnan retomou a figura de Monsenhor Luiz Antônio, que sempre recorda a necessidade da presença do Espírito Santo em nosso cotidiano, para que vivamos na certeza de que Deus age e, por isso, é possível ter fé e acreditar que Ele não pode mais nos amar mais do que ama agora: “a cruz levada com amor não mata”, recordou. Além disso, “a cruz é uma graça preciosa que, na fé, eu consigo enxergar além dela”. Ao fim de sua homilia, conduziu um momento em que foi invocado a força e o poder do Espírito Santo sobre todos os fiéis presentes.

Geovane Macedo da Costa
Equipe de Mídias – Seara 2020

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